Junto tuas dores e componho
Sinfonia da recaída minha
Somo meus medos e resolvo
Equação de minhas mentiras
Equilibro tensões e vidas
Na balança da realidade
Percorro a linha divisória
Do invisível prazer de ser
Há muitas partidas no jogo
Em que sou peça e jogador
Há movimentos e inércia
No campo das sensações
Subtraio riscos e tenho nada
Do que quero multiplicar
Divido expectativas e sonho
A soma dos desencontros
Orquestro o lance derradeiro
E afino o passo do êxtase
Antes do gozo do acorde
Adormeço o som do ruído
E que bela canção se espalha
Nas contas de uma rodada
Vem a vida, vai a dádiva
Numa troca entrelaçada
Ri somente quem debocha
Das suas próprias jogadas
Acertos e erros são vãos
Viver não é matemática
Só há um cálculo permitido
Na partitura de um esmero
Somar instantes ao presente
Fazer futuro sem pretérito
A inconseqüência é o berço
Dos afortunados...
sexta-feira, 25 de abril de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
Feito nuvem
Rimei angústias
Escrevi esperança
Obtive versos
De solidão
Conjuguei a espera
Regi o retorno
Acentuei o medo
Da desilusão
Cantei a conversa
Solfejei o desejo
Desafinei o passo
Da sedução
Ouvi o petardo
Escutei a dor
Ganhei companhia
Da frustração
Vi o desabafo
Enxerguei o fiasco
Avistei a covardia
Da retribuição
Senti o refugo
Apertei o lábio
Chorei o tropeço
Do coração
Recebi o rótulo
Virei algo leve
Fiz-me de nuvem
De precipitação
Passeei no teu céu
Colori teu olhar
Fui útil às carícias
Da tua sensação
Figurei no drama
Redigi os sorrisos
Vivi aquém da dúvida
Da imaginação
Fiquei no arquivo
Mofei na história
Fui página virada
Da tua narração
Chovi a derrota
Molhei de recusa
Imergi em versos
De consolação
Sorvi o soluço
Bebi a realidade
Entendi-me desuso
Da tua criação
Solapei a lágrima
Deixei-te em paz
Soterrei a ousadia
De uma paixão
Escrevi esperança
Obtive versos
De solidão
Conjuguei a espera
Regi o retorno
Acentuei o medo
Da desilusão
Cantei a conversa
Solfejei o desejo
Desafinei o passo
Da sedução
Ouvi o petardo
Escutei a dor
Ganhei companhia
Da frustração
Vi o desabafo
Enxerguei o fiasco
Avistei a covardia
Da retribuição
Senti o refugo
Apertei o lábio
Chorei o tropeço
Do coração
Recebi o rótulo
Virei algo leve
Fiz-me de nuvem
De precipitação
Passeei no teu céu
Colori teu olhar
Fui útil às carícias
Da tua sensação
Figurei no drama
Redigi os sorrisos
Vivi aquém da dúvida
Da imaginação
Fiquei no arquivo
Mofei na história
Fui página virada
Da tua narração
Chovi a derrota
Molhei de recusa
Imergi em versos
De consolação
Sorvi o soluço
Bebi a realidade
Entendi-me desuso
Da tua criação
Solapei a lágrima
Deixei-te em paz
Soterrei a ousadia
De uma paixão
quarta-feira, 5 de março de 2008
Miedo
Tua risada ainda faz
o meu peito se engasgar
Tua voz ainda faz
o meu dia se inventar
Teu momento ainda faz
o meu tempo recuar
Para bem perto da paixão
Para bem longe do sonhar
E continuo com o medo
"do medo que dá"...
o meu peito se engasgar
Tua voz ainda faz
o meu dia se inventar
Teu momento ainda faz
o meu tempo recuar
Para bem perto da paixão
Para bem longe do sonhar
E continuo com o medo
"do medo que dá"...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Voz
Voz que faz o frio
na espinha surpresa
Voz que desafia
a emoção retraída
Voz que canta
Voz que encanta
Voz que sacrifica
Voz de veludo
que emprenha a saudade
Voz de vidro
de transparência
Voz de vitrine
de desejo, inocência
Voz de risco
de vontade
Voz.
Voz de doçura
de viagem, loucura
Voz de imagem
Voz de teu corpo
Voz.
Voz de lágrima
esquecida
Voz de neve
e de calor
Voz de esperança
Voz separada
Voz de lembrança
Voz embargada
Voz de adeus
Voz que deixou
Voz que perdeu
Voz que quebrou
Voz que correu
Voz que marcou
Voz de um instante
entre você e eu
Voz de uma paixão
que o tempo calou.
na espinha surpresa
Voz que desafia
a emoção retraída
Voz que canta
Voz que encanta
Voz que sacrifica
Voz de veludo
que emprenha a saudade
Voz de vidro
de transparência
Voz de vitrine
de desejo, inocência
Voz de risco
de vontade
Voz.
Voz de doçura
de viagem, loucura
Voz de imagem
Voz de teu corpo
Voz.
Voz de lágrima
esquecida
Voz de neve
e de calor
Voz de esperança
Voz separada
Voz de lembrança
Voz embargada
Voz de adeus
Voz que deixou
Voz que perdeu
Voz que quebrou
Voz que correu
Voz que marcou
Voz de um instante
entre você e eu
Voz de uma paixão
que o tempo calou.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Mar de dúvidas...
O que me seduz não são tuas declarações
Mas o silêncio que ergues em torno delas
O que me fascina não é o carinho
Mas a ilusão que tua mão me nega
O que me atrai não é a força do teu olhar
Mas o chão que ele me toma subitamente
Teu espírito vagueia pelos becos da dúvida
E me descarrila a certeza do próximo passo
Na tua indecisão mora meu futuro
Nos meus desejos vivem os nossos laços
Eu quero o caminho que trilhas no escuro
E a luz que margeia um suposto abraço
Mas foges insegura pelo mar da omissão
À revelia da vela que guia o meu barco
Preciso do vento que é teu encalço
A sina que banha minha embarcação
Meu porto seguro é apenas o espaço
Em que ancoraste o teu coração
Mas o silêncio que ergues em torno delas
O que me fascina não é o carinho
Mas a ilusão que tua mão me nega
O que me atrai não é a força do teu olhar
Mas o chão que ele me toma subitamente
Teu espírito vagueia pelos becos da dúvida
E me descarrila a certeza do próximo passo
Na tua indecisão mora meu futuro
Nos meus desejos vivem os nossos laços
Eu quero o caminho que trilhas no escuro
E a luz que margeia um suposto abraço
Mas foges insegura pelo mar da omissão
À revelia da vela que guia o meu barco
Preciso do vento que é teu encalço
A sina que banha minha embarcação
Meu porto seguro é apenas o espaço
Em que ancoraste o teu coração
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Entre...
Entre o branco e o negro
Uma idéia e uma ação
Entre o teatro e o palco
Um intérprete e uma fala
Entre a palavra e o verso
Uma rima e um tempo
Entre o relógio e a grandeza
Um segundo e uma feição
Entre o sorriso e a lágrima
Um gesto e um mundo
Entre o universo e o átomo
Uma auto-estima e um sabor
Entre a delícia e o calor
Uma boca e um desejo
Entre a volúpia e a contenção
Um dente e um sentimento
Entre um amor e um beijo
Um risco e uma ilusão
Entre o imaginário e o eclipse
Um passeio e um espírito
Entre a alma e o breu
Uma inércia e um olhar
Entre a íris e a verdade
Uma cor e uma carência
Entre a saudade e a mão
Um caminho e um sonho
Entre um pesadelo e a parcimônia
Um cochilo e uma sina
Entre o destino e o passado
Um passo e uma memória
Entre uma lembrança e a projeção
Uma história e uma lástima
Entre a dor e a felicidade
Uma atitude e um recuo
Entre o freio e o disparate
Uma rédea e uma fortuna
Entre a riqueza e o sucesso
Um senso e uma ambição
Entre a vontade e o limite
Uma confiança e uma essência
Entre a vida e a razão
Um delírio e um consenso
Entre o certo e a sorte
Uma página e um conto
Entre o romance e a sedução
Um deslize e um descontrole
Entre o desequilíbrio e o guia
Um piscar e um prazer
Entre a lascívia e o pudor
Uma resistência e um vão
Entre o nada e o significado
Uma retórica e uma ciência
Entre a inteligência e a sobra
Uma infância e um corpo
Entre o nu e o fetiche
Um sopro e uma partitura
Entre a música e o pêndulo
Um compasso e um coração
Entre o batimento e a bateria
Uma cadência e uma farsa
Entre a metáfora e o sentido
Uma explosão e um pecado
Entre a transgressão e os lábios
Um olfato e uma união
Entre o sexo e o carinho
Um encontro e um ardor
Entre a perdição e o desprezo
Uma saliência e uma dança
Entre o passo e o caminho
Uma decisão e uma estrela
Entre o sol e um rosto
Uma manhã e uma asa
Entre o pássaro e a prudência
Um orifício e uma flor
Entre a natureza e o céu
Uma mulher e um mapa
Entre a rota e o indizível
Uma aventura e um segredo
Entre a confissão e o silêncio
Uma recusa e uma ascensão
Entre a erupção e a tez
Um contato e um cheiro
Entre a carne e a alma
Um sangue e uma paixão
Entre a brasa e o frio
Um norte e um calendário
Entre o dia e a noite
Um sono e um poema
Entre o soneto e a paródia
Um fosco e uma religião
Entre a descrença e a luz
Uma reza e uma oração
Entre o altar e a graça
Um pedido e uma visão
Entre o espelho e o eu
Uma imagem e um choro
Entre a lágrima e o doce
Uma espera e um amanhã
Entre a esperança e o fato
Um retrato e uma distância
Entre a ponta e o começo
Um círculo e uma porta
Entre o labirinto e a saída
Um texto de consolação...
Uma idéia e uma ação
Entre o teatro e o palco
Um intérprete e uma fala
Entre a palavra e o verso
Uma rima e um tempo
Entre o relógio e a grandeza
Um segundo e uma feição
Entre o sorriso e a lágrima
Um gesto e um mundo
Entre o universo e o átomo
Uma auto-estima e um sabor
Entre a delícia e o calor
Uma boca e um desejo
Entre a volúpia e a contenção
Um dente e um sentimento
Entre um amor e um beijo
Um risco e uma ilusão
Entre o imaginário e o eclipse
Um passeio e um espírito
Entre a alma e o breu
Uma inércia e um olhar
Entre a íris e a verdade
Uma cor e uma carência
Entre a saudade e a mão
Um caminho e um sonho
Entre um pesadelo e a parcimônia
Um cochilo e uma sina
Entre o destino e o passado
Um passo e uma memória
Entre uma lembrança e a projeção
Uma história e uma lástima
Entre a dor e a felicidade
Uma atitude e um recuo
Entre o freio e o disparate
Uma rédea e uma fortuna
Entre a riqueza e o sucesso
Um senso e uma ambição
Entre a vontade e o limite
Uma confiança e uma essência
Entre a vida e a razão
Um delírio e um consenso
Entre o certo e a sorte
Uma página e um conto
Entre o romance e a sedução
Um deslize e um descontrole
Entre o desequilíbrio e o guia
Um piscar e um prazer
Entre a lascívia e o pudor
Uma resistência e um vão
Entre o nada e o significado
Uma retórica e uma ciência
Entre a inteligência e a sobra
Uma infância e um corpo
Entre o nu e o fetiche
Um sopro e uma partitura
Entre a música e o pêndulo
Um compasso e um coração
Entre o batimento e a bateria
Uma cadência e uma farsa
Entre a metáfora e o sentido
Uma explosão e um pecado
Entre a transgressão e os lábios
Um olfato e uma união
Entre o sexo e o carinho
Um encontro e um ardor
Entre a perdição e o desprezo
Uma saliência e uma dança
Entre o passo e o caminho
Uma decisão e uma estrela
Entre o sol e um rosto
Uma manhã e uma asa
Entre o pássaro e a prudência
Um orifício e uma flor
Entre a natureza e o céu
Uma mulher e um mapa
Entre a rota e o indizível
Uma aventura e um segredo
Entre a confissão e o silêncio
Uma recusa e uma ascensão
Entre a erupção e a tez
Um contato e um cheiro
Entre a carne e a alma
Um sangue e uma paixão
Entre a brasa e o frio
Um norte e um calendário
Entre o dia e a noite
Um sono e um poema
Entre o soneto e a paródia
Um fosco e uma religião
Entre a descrença e a luz
Uma reza e uma oração
Entre o altar e a graça
Um pedido e uma visão
Entre o espelho e o eu
Uma imagem e um choro
Entre a lágrima e o doce
Uma espera e um amanhã
Entre a esperança e o fato
Um retrato e uma distância
Entre a ponta e o começo
Um círculo e uma porta
Entre o labirinto e a saída
Um texto de consolação...
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Nunca quis...
Nunca quis dominar o tempo
Nem submeter os caprichos do amor
Ao crivo idiota das vontades tolas
Ninguém sabe que passo dar
Na estrada dos sentimentos
Os forasteiros se aventuram
E pagam o preço da petulância
Os covardes se esquivam
E amargam a dor do que não vivem
O caminho tem pedras e flores
Para quem não senta à margem da via
Abracei sonhos de eternidade
E acalentei paixões instantâneas
E o que sou longe das decepções?
Um punhado de desejos,
Uma gama de vontades,
Um poço de ilusões...
Amor não se toca
Paixão não se rende
Virulência se ensaia
No rodapé do acaso
E só se sofre com o
Arrependimento da inércia
Beijos de infância se perderam
A inocência era o trunfo
Que se derramou nos dias...
Preocupação agora é rotina
Boca sedenta se incrimina
Num futuro sempre incerto...
Que mal fez o corpo que quis
Ser doado aos prazeres súbitos?
Quando na fertilidade de teu anseio
Plantei a volúpia mais frondosa
Que os ramos de qualquer receio
Não lhe deixariam tão formosa?
A vida não rima
Nem é estéril quanto os textos
Mais castigados por mãos secas.
Cada um põe a palavra que quer
Na frase dos seus momentos
Embora só germinem os fonemas
De quem soletrou amor no vento
E assim a prosa escorre
A poesia se ventila
Entre tropeços de caligrafia
E artimanhas da razão
O relógio assimila a escrita
De um mundo sem magia
Quando morre o coração...
Nunca quis vencer o erro
Mas afaguei o acerto como se,
No excesso de carinhos,
Houvesse da vida retribuição
Amargo a ausência da mão recolhida
O abraço que não veio quando quis
Sofro o germe da indiferença
De uma reluzente consciência
Que não soube fazer raiz
E no destino perdeu guarida
O papel só pede a letra seguinte
Se as idéias produzem sincronia
De nada adiantam expressões pedintes
Como se revirassem uma folia
E não possuíssem o requinte
Da mais pueril ideologia
O poeta é um sarcástico
Sofre para escrever
Escreve para sofrer
Vislumbra o fantástico
Seqüestra o papel
Para se regozijar
Sem saber amar
Faz doce o que era fel
Eu nunca quis conquistar futuro
Reinar sobre uma possibilidade
Mas ergui no destino um muro
A fortaleza da minha vontade
Como se pudesse governar amor
Contra barbárie de uma saudade
Mas reconheço o fracasso vão
De uma sorte desencontrada
Ceguei-me à luz de uma visão
De uma batalha ressabiada
E na luta por uma emoção
A paixão foi derrotada...
Nem submeter os caprichos do amor
Ao crivo idiota das vontades tolas
Ninguém sabe que passo dar
Na estrada dos sentimentos
Os forasteiros se aventuram
E pagam o preço da petulância
Os covardes se esquivam
E amargam a dor do que não vivem
O caminho tem pedras e flores
Para quem não senta à margem da via
Abracei sonhos de eternidade
E acalentei paixões instantâneas
E o que sou longe das decepções?
Um punhado de desejos,
Uma gama de vontades,
Um poço de ilusões...
Amor não se toca
Paixão não se rende
Virulência se ensaia
No rodapé do acaso
E só se sofre com o
Arrependimento da inércia
Beijos de infância se perderam
A inocência era o trunfo
Que se derramou nos dias...
Preocupação agora é rotina
Boca sedenta se incrimina
Num futuro sempre incerto...
Que mal fez o corpo que quis
Ser doado aos prazeres súbitos?
Quando na fertilidade de teu anseio
Plantei a volúpia mais frondosa
Que os ramos de qualquer receio
Não lhe deixariam tão formosa?
A vida não rima
Nem é estéril quanto os textos
Mais castigados por mãos secas.
Cada um põe a palavra que quer
Na frase dos seus momentos
Embora só germinem os fonemas
De quem soletrou amor no vento
E assim a prosa escorre
A poesia se ventila
Entre tropeços de caligrafia
E artimanhas da razão
O relógio assimila a escrita
De um mundo sem magia
Quando morre o coração...
Nunca quis vencer o erro
Mas afaguei o acerto como se,
No excesso de carinhos,
Houvesse da vida retribuição
Amargo a ausência da mão recolhida
O abraço que não veio quando quis
Sofro o germe da indiferença
De uma reluzente consciência
Que não soube fazer raiz
E no destino perdeu guarida
O papel só pede a letra seguinte
Se as idéias produzem sincronia
De nada adiantam expressões pedintes
Como se revirassem uma folia
E não possuíssem o requinte
Da mais pueril ideologia
O poeta é um sarcástico
Sofre para escrever
Escreve para sofrer
Vislumbra o fantástico
Seqüestra o papel
Para se regozijar
Sem saber amar
Faz doce o que era fel
Eu nunca quis conquistar futuro
Reinar sobre uma possibilidade
Mas ergui no destino um muro
A fortaleza da minha vontade
Como se pudesse governar amor
Contra barbárie de uma saudade
Mas reconheço o fracasso vão
De uma sorte desencontrada
Ceguei-me à luz de uma visão
De uma batalha ressabiada
E na luta por uma emoção
A paixão foi derrotada...
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Desfez-se...
E então o ar se desfez...
Como flor de primavera
Que no outono murchou...
Como chuva de quimera
Que no tempo se firmou...
Separando duas eras
Foi-se no som nostálgico
da madrugada
A melodia reverberada
Das manhãs
De almoços festejados
De mensagens insanas...
A cortina se fechou ao palco da paixão
A última cena ensaiou eternidade
Nos sorrisos de costume...
Nos olhares de lassidão...
Nos atalhos da afinidade...
Nas palavras com perfume...
Na semente das vontades...
Nas carícias de um vão...
Em cartaz em nossa história
Se apresenta a saudade
O tempo foi amigo
E se esqueceu de andar
Sob a energia do teu ego
Me desvaneci a sonhar
Cada gota de teu jeito
Me atrevi a eternizar
Mas foi-se o espírito de liberdade
A poesia que fala
O sorriso que versa
A estrofe que vive
O soneto que ainda me embala...
Recolheu-se à rotina
Meu sabor de perdição
E levou com seus medos
Meu dom de ilusão
Não embarco em profecia
Minha queda é o chão
A lágrima ficou presa
E pediu para brotar
Gritou por um destino
Pôs-se a chorar
No paradoxo do desencontro
Amou o amar
As mãos se fizeram inquietude
Falaram o que o coração calou
Pensamentos sem plenitude
Espaço aberto pro que restou
Um esboço de uma atitude
No universo de quem se amou
Quem tem o poder de reger o futuro?
Quem amarga a ansiedade do que não se sabe?
Quantas covardias esconde uma segurança?
Mundo de perguntas e poucas palavras
Respostas tolas
Vãs
Inexistentes
O que deseja um peito palpitante,
Senão o olhar apaixonado
O beijo adocicado,
O calor inevitável,
Da abreviatura do céu
Retratado na amante?
Passos errantes. Sem explicação. Inconfessos.
Desejos armados. Língua afiada. Inertes.
Que estrada une atrações iguais?
Quando o mapa se arvora
No presente
O provável fica ao alcance
De mãos perenes
O peito ruiu
O sorriso chorou
Os olhos emudeceram
Bateu asas e levantou vôo
O atalho da felicidade
A filosofia da expectativa
Se agachou à realidade
Nem Sócrates, nem Kant
Nem resquícios de maldade
Sobram as dores do desfecho
À margem da insanidade...
No drama do que não se fez
Resta a lembrança do que seria
Das conversas das hipóteses
Da especulação sobre ousadia
Da espera de uma resposta
Da leitura em poesia...
Saudade do que não vingou
É morrer ainda em vida
E assistir ao funeral
Da própria alma apaixonada
A dança exibiu seu último passo
O brega que uniu os laços
Se decantou no silêncio
Das expressões amenas
Que enterraram trajetórias
A mordiscada virou lenda
E regalia
No imaginário da sedução
À visita inesperada,
Fechou-se a porta
Da calada das aventuras
O dedilhado,
A excitação,
A malícia,
A paixão,
Os olhos revirados,
O gemido,
O telefonema,
O toque
De dois corpos sedentos
Se viram censurados
Entre desejos incautos
Restritos ao quase...
... e, agora, à proibição.
As metáforas se diluíram
Na angústia de quem não as vive mais...
A poesia está embargada
E não consegue ser chorada...
Faltam versos de lágrimas,
Faltam dores rimadas,
Faltam beijos de consolação.
What’s possible to the poet
make beyond the time if...
… he can’t take his eyes, his mind, from you…?
Aguarda ansioso o passeio
Da loucura não realizado
Sonha o fim-de semana perdido
Em meio ao inesperado...
Emoldurei a janela dos seus olhos
Na parede secreta do meu coração
Como flor de primavera
Que no outono murchou...
Como chuva de quimera
Que no tempo se firmou...
Separando duas eras
Foi-se no som nostálgico
da madrugada
A melodia reverberada
Das manhãs
De almoços festejados
De mensagens insanas...
A cortina se fechou ao palco da paixão
A última cena ensaiou eternidade
Nos sorrisos de costume...
Nos olhares de lassidão...
Nos atalhos da afinidade...
Nas palavras com perfume...
Na semente das vontades...
Nas carícias de um vão...
Em cartaz em nossa história
Se apresenta a saudade
O tempo foi amigo
E se esqueceu de andar
Sob a energia do teu ego
Me desvaneci a sonhar
Cada gota de teu jeito
Me atrevi a eternizar
Mas foi-se o espírito de liberdade
A poesia que fala
O sorriso que versa
A estrofe que vive
O soneto que ainda me embala...
Recolheu-se à rotina
Meu sabor de perdição
E levou com seus medos
Meu dom de ilusão
Não embarco em profecia
Minha queda é o chão
A lágrima ficou presa
E pediu para brotar
Gritou por um destino
Pôs-se a chorar
No paradoxo do desencontro
Amou o amar
As mãos se fizeram inquietude
Falaram o que o coração calou
Pensamentos sem plenitude
Espaço aberto pro que restou
Um esboço de uma atitude
No universo de quem se amou
Quem tem o poder de reger o futuro?
Quem amarga a ansiedade do que não se sabe?
Quantas covardias esconde uma segurança?
Mundo de perguntas e poucas palavras
Respostas tolas
Vãs
Inexistentes
O que deseja um peito palpitante,
Senão o olhar apaixonado
O beijo adocicado,
O calor inevitável,
Da abreviatura do céu
Retratado na amante?
Passos errantes. Sem explicação. Inconfessos.
Desejos armados. Língua afiada. Inertes.
Que estrada une atrações iguais?
Quando o mapa se arvora
No presente
O provável fica ao alcance
De mãos perenes
O peito ruiu
O sorriso chorou
Os olhos emudeceram
Bateu asas e levantou vôo
O atalho da felicidade
A filosofia da expectativa
Se agachou à realidade
Nem Sócrates, nem Kant
Nem resquícios de maldade
Sobram as dores do desfecho
À margem da insanidade...
No drama do que não se fez
Resta a lembrança do que seria
Das conversas das hipóteses
Da especulação sobre ousadia
Da espera de uma resposta
Da leitura em poesia...
Saudade do que não vingou
É morrer ainda em vida
E assistir ao funeral
Da própria alma apaixonada
A dança exibiu seu último passo
O brega que uniu os laços
Se decantou no silêncio
Das expressões amenas
Que enterraram trajetórias
A mordiscada virou lenda
E regalia
No imaginário da sedução
À visita inesperada,
Fechou-se a porta
Da calada das aventuras
O dedilhado,
A excitação,
A malícia,
A paixão,
Os olhos revirados,
O gemido,
O telefonema,
O toque
De dois corpos sedentos
Se viram censurados
Entre desejos incautos
Restritos ao quase...
... e, agora, à proibição.
As metáforas se diluíram
Na angústia de quem não as vive mais...
A poesia está embargada
E não consegue ser chorada...
Faltam versos de lágrimas,
Faltam dores rimadas,
Faltam beijos de consolação.
What’s possible to the poet
make beyond the time if...
… he can’t take his eyes, his mind, from you…?
Aguarda ansioso o passeio
Da loucura não realizado
Sonha o fim-de semana perdido
Em meio ao inesperado...
Emoldurei a janela dos seus olhos
Na parede secreta do meu coração
Mas a vida há de enfrentar a estrada
Se as lágrimas lavam a dor da ausência...
Filosofia de amor deixa suas pegadas
Solapam os espaços de uma carência...
Na certeza que tens de que fosses amada
Eu vejo a razão da minha insistência...
E nos deslizes de tua timidez desnudada
Percebo que houve entre nós existência...
E que chova o destino.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Vida, som e tempo...
A vida toca dentro dos olhos
E os dias escrevem sinfonias
O destino é a soma de acordes
Em canções cifradas na retina
O futuro é o retrato de uma íris
Na melodia embalada na sina
A vida tem o ritmo do acaso
E a letra se faz do repente
Erros marcam suas notas
Acertos se vestem de tempo
A partitura de uma história
É clave de sons de momento
O destino é uma canção feliz
Entoada nas brechas da solidão
Canta quem se afina à raiz
De um amor ou de uma ilusão
A contagem de um aprendiz
São os diálogos de um refrão
Vive quem soma músicas
Ao repertório do coração
Toda dor de uma angústia
Se traduz em inspiração
Todo riso de uma alegria
Faz de pêndulo a emoção
Viver é se tornar maestro
Da orquestra de uma rotina
Reger fatos como versos
Ver no tempo uma rima
Ouvir de cada sentimento
Uma voz de quem ensina
Composição conta em acervo
Pelo agudo da experiência
No relógio de um solfejo
No valor de uma regência
O compasso de um ensejo
É obra-prima da existência
E os dias escrevem sinfonias
O destino é a soma de acordes
Em canções cifradas na retina
O futuro é o retrato de uma íris
Na melodia embalada na sina
A vida tem o ritmo do acaso
E a letra se faz do repente
Erros marcam suas notas
Acertos se vestem de tempo
A partitura de uma história
É clave de sons de momento
O destino é uma canção feliz
Entoada nas brechas da solidão
Canta quem se afina à raiz
De um amor ou de uma ilusão
A contagem de um aprendiz
São os diálogos de um refrão
Vive quem soma músicas
Ao repertório do coração
Toda dor de uma angústia
Se traduz em inspiração
Todo riso de uma alegria
Faz de pêndulo a emoção
Viver é se tornar maestro
Da orquestra de uma rotina
Reger fatos como versos
Ver no tempo uma rima
Ouvir de cada sentimento
Uma voz de quem ensina
Composição conta em acervo
Pelo agudo da experiência
No relógio de um solfejo
No valor de uma regência
O compasso de um ensejo
É obra-prima da existência
domingo, 20 de janeiro de 2008
Acaso
Às vezes, tempestades se travestem de brisa
e mares revoltos se escondem na aparente
tranqüilidade da superfície.
Nem sempre o vulcão adormecido
pode ter a erupção prevista.
Ou subestimada.
Feliz é o tempo,
que não conhece o acaso.
Aos mortais,
resta a indefinição.
Amén
e mares revoltos se escondem na aparente
tranqüilidade da superfície.
Nem sempre o vulcão adormecido
pode ter a erupção prevista.
Ou subestimada.
Feliz é o tempo,
que não conhece o acaso.
Aos mortais,
resta a indefinição.
Amén
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