Cedi à seda
De uma paixão que alinha
Transformei em agulha
A textura d’alma minha
E costurei meus dias
No teu destino
Com os fios dos teus olhos
Tricotei um cobertor
Fiz do abraço um tecido
E o meu aquecedor
Em que me protejo do frio
Onde não há teu amor
Sinto a maciez do algodão
No toque dos teus sonhos
E me é leve a tua mão
Quando cose o linho
Que forra meu coração
E o borda em teu ninho
Eu te invento em botão
Para preencher a casa
Da vestimenta que uso
Quando sinto que a razão
É linha que se desata
Na emoção do teu riso
Aliso tua pele de lã
E te estofo inteira em desejo
Entrelaço a noite com a manhã
No vestuário só do teu beijo
Me esqueço de uma vida sã
Que se descose no devaneio
Nossos corpos traçam luz
Adornados em eternidade
Na linha de um flerte você seduz
E une em nó as duas metades
Que se emendam em ponto-cruz
Entre espíritos e a vontade
Não tem espaço a traça
Que não traça nossos fios
Não há terreno pra ameaça
Que amedronte nosso brio
O que se sutura na graça
Desgraça este desafio
E se o corte insiste
Dividindo a nossa malha
Crio novos modelos
De uma vida que se retalha
Sem rasgar sentimentos
Se renovando com a batalha
Emendo as fibras soltas
E amarro teu corpo ao meu
Uno matéria, costuro planos
Em fazenda que me prometeu
Cobrir o futuro com um pano
Que fez da estampa você e eu
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Dirigir
Quero escrever como dirijo um carro. Ir de uma faixa a outra apenas com um leve esforço de mãos habilidosas. E olhando, furtivo, no retrovisor para evitar transtornos. Não! Para escrever não basta isso. O retrovisor, muitas vezes, nos mostra imagens que imobilizam as mãos e vencem nossos esforços.
Insisto.
Quero começar e terminar uma linha do mesmo jeito que vou de carro de um destino a outro. Mas, toda vez que começo a escrever, surgem novos caminhos, novas avenidas, novas estradas. Acabo perdendo a minha rota e me descubro sem destino.
Persisto.
Quero saber o que vou encontrar quando virar a esquina. Se existe um buraco, um congestionamento ou o se o caminho está livre. Dificilmente, porém, encontro os deslizes do meu texto e caio, afundo, na superfície de buracos inexistentes. Perco-me no sombrio da indecisão, na confusão das palavras, nas possibilidades da oração. Fico parado, revolto em pensamentos que se sobrepõem, se engarrafam, se congestionam. Por vezes, pior: idéias não andam, mensagens não circulam.
Prossigo.
Quero, ao escrever, encontrar os sinais abertos, para construir minha história livremente. Ainda que estejam fechados, quero ter a certeza de que posso esperar tranqüilo que, dali a um certo tempo, eles se abrirão, e eu retomarei a minha trilha de onde parei. Não compreendo. Ao me conduzir nas estradas da literatura, enxergo sinais que se transformam em placas proibindo-me a passagem. Ou desviando a via, que se apaga à minha frente para ressurgir em direções inesperadas. Indicando, ainda, trechos sinuosos, pista escorregadia. Cavaletes de dificuldade.
Desafio.
Arrisco-me a ultrapassar os sinais. Desvio das bifurcações da língua, encosto em termos, expressões e dou seguimento às vírgulas. Não raro, tropeço nas linhas, chego cambaleante aos pontos finais e, inerte, vejo escorrer lentamente o sentido das frases para fora das margens do papel. Na contra-mão, armo o acidente entre os vocábulos, quebro o elo entre eles e os reduzo a nada.
Respeito.
Quero escrever sentindo a segurança de um cinto que me prende à cadeira, pronto para me proteger frente ao inevitável. Escutando o som escolhido por mim, no rádio, e com a marcha que regula a velocidade ao alcance das mãos. No texto, a proteção me algema, o conforto me esconde a criação. Fico... preso. O limite me provoca... se insinua e me pede para vencê-lo. Mas ele se estende, muda de lugar e, quando noto, corre diante de mim. O som da mente é um barulho de vozes vividas, ouvidas, observadas que me contam histórias reais, imaginárias e desejadas. Ruídos que não controlo, volumes oscilantes.
Percebo.
Quando escrevo, a distância percorrida é quase nula, pois dedico grande parte do tempo a colocar as letras e, em seguida, apagá-las rapidamente. A impor a palavra e, logo depois, bani-la. O movimento se repete até que, às vezes, finjo esquecer de apagar.
Sinto-me multado em minhas convicções.
Derrapo nas curvas da técnica.
Freio cada uma das inspirações...
...Para, a seguir, acelerá-las.
Nos obstáculos, crio a minha voz.
Enfrento o destino.
Faço da vida o meu combustível.
Transformo sinais em pontos de partida.
Redobro os esforços.
Encontro brechas nos congestionamentos.
Exploro o breu das vielas, dos becos, e chego ao final das ruas sem saída.
Dou-me o prazer de perder os caminhos e virar nas esquinas que desconheço
Ilumino a escuridão e descubro que é assim que as palavras brotam, o texto cresce, a história se conta.
Mas não incorporo a certeza: se renego as dúvidas, elas me derrotam.
Repudio meu lugar de piloto.
Afinal, escrever não é dirigir. É perder o controle.
Insisto.
Quero começar e terminar uma linha do mesmo jeito que vou de carro de um destino a outro. Mas, toda vez que começo a escrever, surgem novos caminhos, novas avenidas, novas estradas. Acabo perdendo a minha rota e me descubro sem destino.
Persisto.
Quero saber o que vou encontrar quando virar a esquina. Se existe um buraco, um congestionamento ou o se o caminho está livre. Dificilmente, porém, encontro os deslizes do meu texto e caio, afundo, na superfície de buracos inexistentes. Perco-me no sombrio da indecisão, na confusão das palavras, nas possibilidades da oração. Fico parado, revolto em pensamentos que se sobrepõem, se engarrafam, se congestionam. Por vezes, pior: idéias não andam, mensagens não circulam.
Prossigo.
Quero, ao escrever, encontrar os sinais abertos, para construir minha história livremente. Ainda que estejam fechados, quero ter a certeza de que posso esperar tranqüilo que, dali a um certo tempo, eles se abrirão, e eu retomarei a minha trilha de onde parei. Não compreendo. Ao me conduzir nas estradas da literatura, enxergo sinais que se transformam em placas proibindo-me a passagem. Ou desviando a via, que se apaga à minha frente para ressurgir em direções inesperadas. Indicando, ainda, trechos sinuosos, pista escorregadia. Cavaletes de dificuldade.
Desafio.
Arrisco-me a ultrapassar os sinais. Desvio das bifurcações da língua, encosto em termos, expressões e dou seguimento às vírgulas. Não raro, tropeço nas linhas, chego cambaleante aos pontos finais e, inerte, vejo escorrer lentamente o sentido das frases para fora das margens do papel. Na contra-mão, armo o acidente entre os vocábulos, quebro o elo entre eles e os reduzo a nada.
Respeito.
Quero escrever sentindo a segurança de um cinto que me prende à cadeira, pronto para me proteger frente ao inevitável. Escutando o som escolhido por mim, no rádio, e com a marcha que regula a velocidade ao alcance das mãos. No texto, a proteção me algema, o conforto me esconde a criação. Fico... preso. O limite me provoca... se insinua e me pede para vencê-lo. Mas ele se estende, muda de lugar e, quando noto, corre diante de mim. O som da mente é um barulho de vozes vividas, ouvidas, observadas que me contam histórias reais, imaginárias e desejadas. Ruídos que não controlo, volumes oscilantes.
Percebo.
Quando escrevo, a distância percorrida é quase nula, pois dedico grande parte do tempo a colocar as letras e, em seguida, apagá-las rapidamente. A impor a palavra e, logo depois, bani-la. O movimento se repete até que, às vezes, finjo esquecer de apagar.
Sinto-me multado em minhas convicções.
Derrapo nas curvas da técnica.
Freio cada uma das inspirações...
...Para, a seguir, acelerá-las.
Nos obstáculos, crio a minha voz.
Enfrento o destino.
Faço da vida o meu combustível.
Transformo sinais em pontos de partida.
Redobro os esforços.
Encontro brechas nos congestionamentos.
Exploro o breu das vielas, dos becos, e chego ao final das ruas sem saída.
Dou-me o prazer de perder os caminhos e virar nas esquinas que desconheço
Ilumino a escuridão e descubro que é assim que as palavras brotam, o texto cresce, a história se conta.
Mas não incorporo a certeza: se renego as dúvidas, elas me derrotam.
Repudio meu lugar de piloto.
Afinal, escrever não é dirigir. É perder o controle.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
É tarde?
A palavra veio.
Sim.
Ressoou sentimento.
Tilintou paixão.
Vestiu-se de possibilidade.
Anunciou promessas outrora adormecidas.
Resgatou vontades antes afogadas.
Respirou ares de um vento deslizado no pretérito.
Suspirou desejo.
Assoprou resposta.
Sacudiu dúvidas.
E paixão.
O verbo esbarrou na porta.
Do tempo.
Deu de cara com as horas desconexas.
De frente para o presente.
De alma para o passado.
Deslocado na dimensão da realidade, sobrou-lhe o apelo.
O resquício da gravidade de corpos afastados.
De poder, virou esperança.
De domínio, fez-se escravo.
Virou espera.
Depois, medo.
Enfim, ânsia.
Implorou a metamorfose dos fatos.
Clamou milagre da compaixão.
O subterfúgio dos desesperados.
A frase se locupletou.
De vazio.
O silêncio se elegeu.
Brindou o olhar.
Esfriou a mente.
Imobilizou fonemas.
Tardou a ação.
Encontrou desencontro.
A reação ignorou a troca.
Parada, distante do momento,
ausente do enlace,
afastada da recaída,
mas presa ao querer.
Rendida pela saudade de uma chance sonegada.
Algemada pela ocasião de uma morte anulada.
Lados opostos.
Ímãs humanos.
Separados pelo fosso cavado entre ímpeto e rejeição.
No labirinto do destino, a saída quebrou.
A chave do risco não abriu insegurança.
Proposta degustou rejeição.
Janela se abriu ao prazer.
Mas se fechou ao horizonte do medo.
A distância embalou o amanhã.
Reticências viveram o sono.
Ilusões povoaram os sonhos.
Insônia do desengano.
Mas o acaso falou.
Ecoou no repente.
Acordou reencontro.
Desdisse sina.
Reviveu nervosismo.
Pôs madrugada diante de confissões.
Recosturou feridas.
Curou desânimos.
Ergueu ponte entre esquecimento e felicidade.
Soergueu fogo.
Erigiu prazer.
Rendeu lascívia.
Ensejou nova rota para voar sobre o abismo solitário da arritmia.
Entre amantes do nunca.
Entre beijos da dúvida.
Entre o nada e o abraço da reconquista do tempo.
É tarde?
Ou a vida dispensa os segundos?
Há somente uma página em branco.
E a história de dois corações a escrever.
Sim.
Ressoou sentimento.
Tilintou paixão.
Vestiu-se de possibilidade.
Anunciou promessas outrora adormecidas.
Resgatou vontades antes afogadas.
Respirou ares de um vento deslizado no pretérito.
Suspirou desejo.
Assoprou resposta.
Sacudiu dúvidas.
E paixão.
O verbo esbarrou na porta.
Do tempo.
Deu de cara com as horas desconexas.
De frente para o presente.
De alma para o passado.
Deslocado na dimensão da realidade, sobrou-lhe o apelo.
O resquício da gravidade de corpos afastados.
De poder, virou esperança.
De domínio, fez-se escravo.
Virou espera.
Depois, medo.
Enfim, ânsia.
Implorou a metamorfose dos fatos.
Clamou milagre da compaixão.
O subterfúgio dos desesperados.
A frase se locupletou.
De vazio.
O silêncio se elegeu.
Brindou o olhar.
Esfriou a mente.
Imobilizou fonemas.
Tardou a ação.
Encontrou desencontro.
A reação ignorou a troca.
Parada, distante do momento,
ausente do enlace,
afastada da recaída,
mas presa ao querer.
Rendida pela saudade de uma chance sonegada.
Algemada pela ocasião de uma morte anulada.
Lados opostos.
Ímãs humanos.
Separados pelo fosso cavado entre ímpeto e rejeição.
No labirinto do destino, a saída quebrou.
A chave do risco não abriu insegurança.
Proposta degustou rejeição.
Janela se abriu ao prazer.
Mas se fechou ao horizonte do medo.
A distância embalou o amanhã.
Reticências viveram o sono.
Ilusões povoaram os sonhos.
Insônia do desengano.
Mas o acaso falou.
Ecoou no repente.
Acordou reencontro.
Desdisse sina.
Reviveu nervosismo.
Pôs madrugada diante de confissões.
Recosturou feridas.
Curou desânimos.
Ergueu ponte entre esquecimento e felicidade.
Soergueu fogo.
Erigiu prazer.
Rendeu lascívia.
Ensejou nova rota para voar sobre o abismo solitário da arritmia.
Entre amantes do nunca.
Entre beijos da dúvida.
Entre o nada e o abraço da reconquista do tempo.
É tarde?
Ou a vida dispensa os segundos?
Há somente uma página em branco.
E a história de dois corações a escrever.
terça-feira, 27 de maio de 2008
A vez
Em você o silêncio basta
A vontade se confessa
A razão é só uma injúria
Deflagrada na mudez
Em você o instante some
A eternidade embala o tempo
O segundo atrasa o passo
No desejo da nudez
Em você a sina vive
O destino se recomenda
A emoção suplica a lida
No pulsar da tua tez
Em você o verbo vibra
A palavra se inventa
O verso se consolida
Na rima da insensatez
Em você força fracassa
A dureza estremece
Os olhos se fazem golpe
Na queda de uma sisudez
Em você o mundo finda
O universo recomeça
A vida se alinha
Na regência da tua vez
A vontade se confessa
A razão é só uma injúria
Deflagrada na mudez
Em você o instante some
A eternidade embala o tempo
O segundo atrasa o passo
No desejo da nudez
Em você a sina vive
O destino se recomenda
A emoção suplica a lida
No pulsar da tua tez
Em você o verbo vibra
A palavra se inventa
O verso se consolida
Na rima da insensatez
Em você força fracassa
A dureza estremece
Os olhos se fazem golpe
Na queda de uma sisudez
Em você o mundo finda
O universo recomeça
A vida se alinha
Na regência da tua vez
sexta-feira, 25 de abril de 2008
...
Junto tuas dores e componho
Sinfonia da recaída minha
Somo meus medos e resolvo
Equação de minhas mentiras
Equilibro tensões e vidas
Na balança da realidade
Percorro a linha divisória
Do invisível prazer de ser
Há muitas partidas no jogo
Em que sou peça e jogador
Há movimentos e inércia
No campo das sensações
Subtraio riscos e tenho nada
Do que quero multiplicar
Divido expectativas e sonho
A soma dos desencontros
Orquestro o lance derradeiro
E afino o passo do êxtase
Antes do gozo do acorde
Adormeço o som do ruído
E que bela canção se espalha
Nas contas de uma rodada
Vem a vida, vai a dádiva
Numa troca entrelaçada
Ri somente quem debocha
Das suas próprias jogadas
Acertos e erros são vãos
Viver não é matemática
Só há um cálculo permitido
Na partitura de um esmero
Somar instantes ao presente
Fazer futuro sem pretérito
A inconseqüência é o berço
Dos afortunados...
Sinfonia da recaída minha
Somo meus medos e resolvo
Equação de minhas mentiras
Equilibro tensões e vidas
Na balança da realidade
Percorro a linha divisória
Do invisível prazer de ser
Há muitas partidas no jogo
Em que sou peça e jogador
Há movimentos e inércia
No campo das sensações
Subtraio riscos e tenho nada
Do que quero multiplicar
Divido expectativas e sonho
A soma dos desencontros
Orquestro o lance derradeiro
E afino o passo do êxtase
Antes do gozo do acorde
Adormeço o som do ruído
E que bela canção se espalha
Nas contas de uma rodada
Vem a vida, vai a dádiva
Numa troca entrelaçada
Ri somente quem debocha
Das suas próprias jogadas
Acertos e erros são vãos
Viver não é matemática
Só há um cálculo permitido
Na partitura de um esmero
Somar instantes ao presente
Fazer futuro sem pretérito
A inconseqüência é o berço
Dos afortunados...
segunda-feira, 31 de março de 2008
Feito nuvem
Rimei angústias
Escrevi esperança
Obtive versos
De solidão
Conjuguei a espera
Regi o retorno
Acentuei o medo
Da desilusão
Cantei a conversa
Solfejei o desejo
Desafinei o passo
Da sedução
Ouvi o petardo
Escutei a dor
Ganhei companhia
Da frustração
Vi o desabafo
Enxerguei o fiasco
Avistei a covardia
Da retribuição
Senti o refugo
Apertei o lábio
Chorei o tropeço
Do coração
Recebi o rótulo
Virei algo leve
Fiz-me de nuvem
De precipitação
Passeei no teu céu
Colori teu olhar
Fui útil às carícias
Da tua sensação
Figurei no drama
Redigi os sorrisos
Vivi aquém da dúvida
Da imaginação
Fiquei no arquivo
Mofei na história
Fui página virada
Da tua narração
Chovi a derrota
Molhei de recusa
Imergi em versos
De consolação
Sorvi o soluço
Bebi a realidade
Entendi-me desuso
Da tua criação
Solapei a lágrima
Deixei-te em paz
Soterrei a ousadia
De uma paixão
Escrevi esperança
Obtive versos
De solidão
Conjuguei a espera
Regi o retorno
Acentuei o medo
Da desilusão
Cantei a conversa
Solfejei o desejo
Desafinei o passo
Da sedução
Ouvi o petardo
Escutei a dor
Ganhei companhia
Da frustração
Vi o desabafo
Enxerguei o fiasco
Avistei a covardia
Da retribuição
Senti o refugo
Apertei o lábio
Chorei o tropeço
Do coração
Recebi o rótulo
Virei algo leve
Fiz-me de nuvem
De precipitação
Passeei no teu céu
Colori teu olhar
Fui útil às carícias
Da tua sensação
Figurei no drama
Redigi os sorrisos
Vivi aquém da dúvida
Da imaginação
Fiquei no arquivo
Mofei na história
Fui página virada
Da tua narração
Chovi a derrota
Molhei de recusa
Imergi em versos
De consolação
Sorvi o soluço
Bebi a realidade
Entendi-me desuso
Da tua criação
Solapei a lágrima
Deixei-te em paz
Soterrei a ousadia
De uma paixão
quarta-feira, 5 de março de 2008
Miedo
Tua risada ainda faz
o meu peito se engasgar
Tua voz ainda faz
o meu dia se inventar
Teu momento ainda faz
o meu tempo recuar
Para bem perto da paixão
Para bem longe do sonhar
E continuo com o medo
"do medo que dá"...
o meu peito se engasgar
Tua voz ainda faz
o meu dia se inventar
Teu momento ainda faz
o meu tempo recuar
Para bem perto da paixão
Para bem longe do sonhar
E continuo com o medo
"do medo que dá"...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Voz
Voz que faz o frio
na espinha surpresa
Voz que desafia
a emoção retraída
Voz que canta
Voz que encanta
Voz que sacrifica
Voz de veludo
que emprenha a saudade
Voz de vidro
de transparência
Voz de vitrine
de desejo, inocência
Voz de risco
de vontade
Voz.
Voz de doçura
de viagem, loucura
Voz de imagem
Voz de teu corpo
Voz.
Voz de lágrima
esquecida
Voz de neve
e de calor
Voz de esperança
Voz separada
Voz de lembrança
Voz embargada
Voz de adeus
Voz que deixou
Voz que perdeu
Voz que quebrou
Voz que correu
Voz que marcou
Voz de um instante
entre você e eu
Voz de uma paixão
que o tempo calou.
na espinha surpresa
Voz que desafia
a emoção retraída
Voz que canta
Voz que encanta
Voz que sacrifica
Voz de veludo
que emprenha a saudade
Voz de vidro
de transparência
Voz de vitrine
de desejo, inocência
Voz de risco
de vontade
Voz.
Voz de doçura
de viagem, loucura
Voz de imagem
Voz de teu corpo
Voz.
Voz de lágrima
esquecida
Voz de neve
e de calor
Voz de esperança
Voz separada
Voz de lembrança
Voz embargada
Voz de adeus
Voz que deixou
Voz que perdeu
Voz que quebrou
Voz que correu
Voz que marcou
Voz de um instante
entre você e eu
Voz de uma paixão
que o tempo calou.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Mar de dúvidas...
O que me seduz não são tuas declarações
Mas o silêncio que ergues em torno delas
O que me fascina não é o carinho
Mas a ilusão que tua mão me nega
O que me atrai não é a força do teu olhar
Mas o chão que ele me toma subitamente
Teu espírito vagueia pelos becos da dúvida
E me descarrila a certeza do próximo passo
Na tua indecisão mora meu futuro
Nos meus desejos vivem os nossos laços
Eu quero o caminho que trilhas no escuro
E a luz que margeia um suposto abraço
Mas foges insegura pelo mar da omissão
À revelia da vela que guia o meu barco
Preciso do vento que é teu encalço
A sina que banha minha embarcação
Meu porto seguro é apenas o espaço
Em que ancoraste o teu coração
Mas o silêncio que ergues em torno delas
O que me fascina não é o carinho
Mas a ilusão que tua mão me nega
O que me atrai não é a força do teu olhar
Mas o chão que ele me toma subitamente
Teu espírito vagueia pelos becos da dúvida
E me descarrila a certeza do próximo passo
Na tua indecisão mora meu futuro
Nos meus desejos vivem os nossos laços
Eu quero o caminho que trilhas no escuro
E a luz que margeia um suposto abraço
Mas foges insegura pelo mar da omissão
À revelia da vela que guia o meu barco
Preciso do vento que é teu encalço
A sina que banha minha embarcação
Meu porto seguro é apenas o espaço
Em que ancoraste o teu coração
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Entre...
Entre o branco e o negro
Uma idéia e uma ação
Entre o teatro e o palco
Um intérprete e uma fala
Entre a palavra e o verso
Uma rima e um tempo
Entre o relógio e a grandeza
Um segundo e uma feição
Entre o sorriso e a lágrima
Um gesto e um mundo
Entre o universo e o átomo
Uma auto-estima e um sabor
Entre a delícia e o calor
Uma boca e um desejo
Entre a volúpia e a contenção
Um dente e um sentimento
Entre um amor e um beijo
Um risco e uma ilusão
Entre o imaginário e o eclipse
Um passeio e um espírito
Entre a alma e o breu
Uma inércia e um olhar
Entre a íris e a verdade
Uma cor e uma carência
Entre a saudade e a mão
Um caminho e um sonho
Entre um pesadelo e a parcimônia
Um cochilo e uma sina
Entre o destino e o passado
Um passo e uma memória
Entre uma lembrança e a projeção
Uma história e uma lástima
Entre a dor e a felicidade
Uma atitude e um recuo
Entre o freio e o disparate
Uma rédea e uma fortuna
Entre a riqueza e o sucesso
Um senso e uma ambição
Entre a vontade e o limite
Uma confiança e uma essência
Entre a vida e a razão
Um delírio e um consenso
Entre o certo e a sorte
Uma página e um conto
Entre o romance e a sedução
Um deslize e um descontrole
Entre o desequilíbrio e o guia
Um piscar e um prazer
Entre a lascívia e o pudor
Uma resistência e um vão
Entre o nada e o significado
Uma retórica e uma ciência
Entre a inteligência e a sobra
Uma infância e um corpo
Entre o nu e o fetiche
Um sopro e uma partitura
Entre a música e o pêndulo
Um compasso e um coração
Entre o batimento e a bateria
Uma cadência e uma farsa
Entre a metáfora e o sentido
Uma explosão e um pecado
Entre a transgressão e os lábios
Um olfato e uma união
Entre o sexo e o carinho
Um encontro e um ardor
Entre a perdição e o desprezo
Uma saliência e uma dança
Entre o passo e o caminho
Uma decisão e uma estrela
Entre o sol e um rosto
Uma manhã e uma asa
Entre o pássaro e a prudência
Um orifício e uma flor
Entre a natureza e o céu
Uma mulher e um mapa
Entre a rota e o indizível
Uma aventura e um segredo
Entre a confissão e o silêncio
Uma recusa e uma ascensão
Entre a erupção e a tez
Um contato e um cheiro
Entre a carne e a alma
Um sangue e uma paixão
Entre a brasa e o frio
Um norte e um calendário
Entre o dia e a noite
Um sono e um poema
Entre o soneto e a paródia
Um fosco e uma religião
Entre a descrença e a luz
Uma reza e uma oração
Entre o altar e a graça
Um pedido e uma visão
Entre o espelho e o eu
Uma imagem e um choro
Entre a lágrima e o doce
Uma espera e um amanhã
Entre a esperança e o fato
Um retrato e uma distância
Entre a ponta e o começo
Um círculo e uma porta
Entre o labirinto e a saída
Um texto de consolação...
Uma idéia e uma ação
Entre o teatro e o palco
Um intérprete e uma fala
Entre a palavra e o verso
Uma rima e um tempo
Entre o relógio e a grandeza
Um segundo e uma feição
Entre o sorriso e a lágrima
Um gesto e um mundo
Entre o universo e o átomo
Uma auto-estima e um sabor
Entre a delícia e o calor
Uma boca e um desejo
Entre a volúpia e a contenção
Um dente e um sentimento
Entre um amor e um beijo
Um risco e uma ilusão
Entre o imaginário e o eclipse
Um passeio e um espírito
Entre a alma e o breu
Uma inércia e um olhar
Entre a íris e a verdade
Uma cor e uma carência
Entre a saudade e a mão
Um caminho e um sonho
Entre um pesadelo e a parcimônia
Um cochilo e uma sina
Entre o destino e o passado
Um passo e uma memória
Entre uma lembrança e a projeção
Uma história e uma lástima
Entre a dor e a felicidade
Uma atitude e um recuo
Entre o freio e o disparate
Uma rédea e uma fortuna
Entre a riqueza e o sucesso
Um senso e uma ambição
Entre a vontade e o limite
Uma confiança e uma essência
Entre a vida e a razão
Um delírio e um consenso
Entre o certo e a sorte
Uma página e um conto
Entre o romance e a sedução
Um deslize e um descontrole
Entre o desequilíbrio e o guia
Um piscar e um prazer
Entre a lascívia e o pudor
Uma resistência e um vão
Entre o nada e o significado
Uma retórica e uma ciência
Entre a inteligência e a sobra
Uma infância e um corpo
Entre o nu e o fetiche
Um sopro e uma partitura
Entre a música e o pêndulo
Um compasso e um coração
Entre o batimento e a bateria
Uma cadência e uma farsa
Entre a metáfora e o sentido
Uma explosão e um pecado
Entre a transgressão e os lábios
Um olfato e uma união
Entre o sexo e o carinho
Um encontro e um ardor
Entre a perdição e o desprezo
Uma saliência e uma dança
Entre o passo e o caminho
Uma decisão e uma estrela
Entre o sol e um rosto
Uma manhã e uma asa
Entre o pássaro e a prudência
Um orifício e uma flor
Entre a natureza e o céu
Uma mulher e um mapa
Entre a rota e o indizível
Uma aventura e um segredo
Entre a confissão e o silêncio
Uma recusa e uma ascensão
Entre a erupção e a tez
Um contato e um cheiro
Entre a carne e a alma
Um sangue e uma paixão
Entre a brasa e o frio
Um norte e um calendário
Entre o dia e a noite
Um sono e um poema
Entre o soneto e a paródia
Um fosco e uma religião
Entre a descrença e a luz
Uma reza e uma oração
Entre o altar e a graça
Um pedido e uma visão
Entre o espelho e o eu
Uma imagem e um choro
Entre a lágrima e o doce
Uma espera e um amanhã
Entre a esperança e o fato
Um retrato e uma distância
Entre a ponta e o começo
Um círculo e uma porta
Entre o labirinto e a saída
Um texto de consolação...
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