Solidão é se atirar em poço
que não tem fundo
E descobrir na queda
o fim do mundo
É confinamento
em prisão sem grade,
dar cárcere à vida
e alforria à saudade
A minha dor é procurar
sol no breu da noite
e fazer da esperança tola
a luz de um açoite
E não há alma fina
Na pancada fria
Da escuridão
Onde falta vista
Sobram agonia
E indecisão
A minha dor é refrão teimoso
de uma canção infinita
E desafinada
Desponta em nota solta
Dança no vazio
E tropeça no nada
No salão da vida,
Passo sozinho
na covardia
desavisada
e bailo morto
na ressurreição
de qualquer balada...
Toda palavra sincera
é um poema
Atravessa o papel,
consome e queima
A boca livre do seu portador
Leva meu coração
contigo
Que no peito não há
Mais abrigo
Para quem demitiu
o amor...
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Cinco segundos
São cinco segundos
Dos meus olhos
À tua alma
São cinco segundos
Do meu desejo
À tua sensatez
São cinco segundos
Do meu silêncio
À tua ironia
São cinco segundos
De minha ilusão
À tua nudez
Insisto por cinco segundos
Na eloqüência do ardor
E você, da mudez
Anseio em cinco segundos
Um vulto de heresia
E você, de sisudez
Se por cinco segundos
Eu tomo teus olhos
De vez
É por cinco segundos
Que o meu desvario
Subtrai lucidez
Se por cinco segundos
Eu só possuísse
Tua tez
Viveria cinco segundos
No tempo de quem
Se refez
Seriam cinco segundos
De luxúria, paixão,
Embriaguez
De quem na foz da loucura
Desaguou coração e
Pelo risco se afez.
Dos meus olhos
À tua alma
São cinco segundos
Do meu desejo
À tua sensatez
São cinco segundos
Do meu silêncio
À tua ironia
São cinco segundos
De minha ilusão
À tua nudez
Insisto por cinco segundos
Na eloqüência do ardor
E você, da mudez
Anseio em cinco segundos
Um vulto de heresia
E você, de sisudez
Se por cinco segundos
Eu tomo teus olhos
De vez
É por cinco segundos
Que o meu desvario
Subtrai lucidez
Se por cinco segundos
Eu só possuísse
Tua tez
Viveria cinco segundos
No tempo de quem
Se refez
Seriam cinco segundos
De luxúria, paixão,
Embriaguez
De quem na foz da loucura
Desaguou coração e
Pelo risco se afez.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
De passagem...
Arrisco um verso
sem medo
de recesso
Belisco o tempo
a contento
do vento
Embalo a vida
esquecida
na ferida
Vivo o agora
sem demora
vou embora
Só não morreu
quem foi um eu
enquanto viveu
sem medo
de recesso
Belisco o tempo
a contento
do vento
Embalo a vida
esquecida
na ferida
Vivo o agora
sem demora
vou embora
Só não morreu
quem foi um eu
enquanto viveu
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Costurando...
Cedi à seda
De uma paixão que alinha
Transformei em agulha
A textura d’alma minha
E costurei meus dias
No teu destino
Com os fios dos teus olhos
Tricotei um cobertor
Fiz do abraço um tecido
E o meu aquecedor
Em que me protejo do frio
Onde não há teu amor
Sinto a maciez do algodão
No toque dos teus sonhos
E me é leve a tua mão
Quando cose o linho
Que forra meu coração
E o borda em teu ninho
Eu te invento em botão
Para preencher a casa
Da vestimenta que uso
Quando sinto que a razão
É linha que se desata
Na emoção do teu riso
Aliso tua pele de lã
E te estofo inteira em desejo
Entrelaço a noite com a manhã
No vestuário só do teu beijo
Me esqueço de uma vida sã
Que se descose no devaneio
Nossos corpos traçam luz
Adornados em eternidade
Na linha de um flerte você seduz
E une em nó as duas metades
Que se emendam em ponto-cruz
Entre espíritos e a vontade
Não tem espaço a traça
Que não traça nossos fios
Não há terreno pra ameaça
Que amedronte nosso brio
O que se sutura na graça
Desgraça este desafio
E se o corte insiste
Dividindo a nossa malha
Crio novos modelos
De uma vida que se retalha
Sem rasgar sentimentos
Se renovando com a batalha
Emendo as fibras soltas
E amarro teu corpo ao meu
Uno matéria, costuro planos
Em fazenda que me prometeu
Cobrir o futuro com um pano
Que fez da estampa você e eu
De uma paixão que alinha
Transformei em agulha
A textura d’alma minha
E costurei meus dias
No teu destino
Com os fios dos teus olhos
Tricotei um cobertor
Fiz do abraço um tecido
E o meu aquecedor
Em que me protejo do frio
Onde não há teu amor
Sinto a maciez do algodão
No toque dos teus sonhos
E me é leve a tua mão
Quando cose o linho
Que forra meu coração
E o borda em teu ninho
Eu te invento em botão
Para preencher a casa
Da vestimenta que uso
Quando sinto que a razão
É linha que se desata
Na emoção do teu riso
Aliso tua pele de lã
E te estofo inteira em desejo
Entrelaço a noite com a manhã
No vestuário só do teu beijo
Me esqueço de uma vida sã
Que se descose no devaneio
Nossos corpos traçam luz
Adornados em eternidade
Na linha de um flerte você seduz
E une em nó as duas metades
Que se emendam em ponto-cruz
Entre espíritos e a vontade
Não tem espaço a traça
Que não traça nossos fios
Não há terreno pra ameaça
Que amedronte nosso brio
O que se sutura na graça
Desgraça este desafio
E se o corte insiste
Dividindo a nossa malha
Crio novos modelos
De uma vida que se retalha
Sem rasgar sentimentos
Se renovando com a batalha
Emendo as fibras soltas
E amarro teu corpo ao meu
Uno matéria, costuro planos
Em fazenda que me prometeu
Cobrir o futuro com um pano
Que fez da estampa você e eu
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Dirigir
Quero escrever como dirijo um carro. Ir de uma faixa a outra apenas com um leve esforço de mãos habilidosas. E olhando, furtivo, no retrovisor para evitar transtornos. Não! Para escrever não basta isso. O retrovisor, muitas vezes, nos mostra imagens que imobilizam as mãos e vencem nossos esforços.
Insisto.
Quero começar e terminar uma linha do mesmo jeito que vou de carro de um destino a outro. Mas, toda vez que começo a escrever, surgem novos caminhos, novas avenidas, novas estradas. Acabo perdendo a minha rota e me descubro sem destino.
Persisto.
Quero saber o que vou encontrar quando virar a esquina. Se existe um buraco, um congestionamento ou o se o caminho está livre. Dificilmente, porém, encontro os deslizes do meu texto e caio, afundo, na superfície de buracos inexistentes. Perco-me no sombrio da indecisão, na confusão das palavras, nas possibilidades da oração. Fico parado, revolto em pensamentos que se sobrepõem, se engarrafam, se congestionam. Por vezes, pior: idéias não andam, mensagens não circulam.
Prossigo.
Quero, ao escrever, encontrar os sinais abertos, para construir minha história livremente. Ainda que estejam fechados, quero ter a certeza de que posso esperar tranqüilo que, dali a um certo tempo, eles se abrirão, e eu retomarei a minha trilha de onde parei. Não compreendo. Ao me conduzir nas estradas da literatura, enxergo sinais que se transformam em placas proibindo-me a passagem. Ou desviando a via, que se apaga à minha frente para ressurgir em direções inesperadas. Indicando, ainda, trechos sinuosos, pista escorregadia. Cavaletes de dificuldade.
Desafio.
Arrisco-me a ultrapassar os sinais. Desvio das bifurcações da língua, encosto em termos, expressões e dou seguimento às vírgulas. Não raro, tropeço nas linhas, chego cambaleante aos pontos finais e, inerte, vejo escorrer lentamente o sentido das frases para fora das margens do papel. Na contra-mão, armo o acidente entre os vocábulos, quebro o elo entre eles e os reduzo a nada.
Respeito.
Quero escrever sentindo a segurança de um cinto que me prende à cadeira, pronto para me proteger frente ao inevitável. Escutando o som escolhido por mim, no rádio, e com a marcha que regula a velocidade ao alcance das mãos. No texto, a proteção me algema, o conforto me esconde a criação. Fico... preso. O limite me provoca... se insinua e me pede para vencê-lo. Mas ele se estende, muda de lugar e, quando noto, corre diante de mim. O som da mente é um barulho de vozes vividas, ouvidas, observadas que me contam histórias reais, imaginárias e desejadas. Ruídos que não controlo, volumes oscilantes.
Percebo.
Quando escrevo, a distância percorrida é quase nula, pois dedico grande parte do tempo a colocar as letras e, em seguida, apagá-las rapidamente. A impor a palavra e, logo depois, bani-la. O movimento se repete até que, às vezes, finjo esquecer de apagar.
Sinto-me multado em minhas convicções.
Derrapo nas curvas da técnica.
Freio cada uma das inspirações...
...Para, a seguir, acelerá-las.
Nos obstáculos, crio a minha voz.
Enfrento o destino.
Faço da vida o meu combustível.
Transformo sinais em pontos de partida.
Redobro os esforços.
Encontro brechas nos congestionamentos.
Exploro o breu das vielas, dos becos, e chego ao final das ruas sem saída.
Dou-me o prazer de perder os caminhos e virar nas esquinas que desconheço
Ilumino a escuridão e descubro que é assim que as palavras brotam, o texto cresce, a história se conta.
Mas não incorporo a certeza: se renego as dúvidas, elas me derrotam.
Repudio meu lugar de piloto.
Afinal, escrever não é dirigir. É perder o controle.
Insisto.
Quero começar e terminar uma linha do mesmo jeito que vou de carro de um destino a outro. Mas, toda vez que começo a escrever, surgem novos caminhos, novas avenidas, novas estradas. Acabo perdendo a minha rota e me descubro sem destino.
Persisto.
Quero saber o que vou encontrar quando virar a esquina. Se existe um buraco, um congestionamento ou o se o caminho está livre. Dificilmente, porém, encontro os deslizes do meu texto e caio, afundo, na superfície de buracos inexistentes. Perco-me no sombrio da indecisão, na confusão das palavras, nas possibilidades da oração. Fico parado, revolto em pensamentos que se sobrepõem, se engarrafam, se congestionam. Por vezes, pior: idéias não andam, mensagens não circulam.
Prossigo.
Quero, ao escrever, encontrar os sinais abertos, para construir minha história livremente. Ainda que estejam fechados, quero ter a certeza de que posso esperar tranqüilo que, dali a um certo tempo, eles se abrirão, e eu retomarei a minha trilha de onde parei. Não compreendo. Ao me conduzir nas estradas da literatura, enxergo sinais que se transformam em placas proibindo-me a passagem. Ou desviando a via, que se apaga à minha frente para ressurgir em direções inesperadas. Indicando, ainda, trechos sinuosos, pista escorregadia. Cavaletes de dificuldade.
Desafio.
Arrisco-me a ultrapassar os sinais. Desvio das bifurcações da língua, encosto em termos, expressões e dou seguimento às vírgulas. Não raro, tropeço nas linhas, chego cambaleante aos pontos finais e, inerte, vejo escorrer lentamente o sentido das frases para fora das margens do papel. Na contra-mão, armo o acidente entre os vocábulos, quebro o elo entre eles e os reduzo a nada.
Respeito.
Quero escrever sentindo a segurança de um cinto que me prende à cadeira, pronto para me proteger frente ao inevitável. Escutando o som escolhido por mim, no rádio, e com a marcha que regula a velocidade ao alcance das mãos. No texto, a proteção me algema, o conforto me esconde a criação. Fico... preso. O limite me provoca... se insinua e me pede para vencê-lo. Mas ele se estende, muda de lugar e, quando noto, corre diante de mim. O som da mente é um barulho de vozes vividas, ouvidas, observadas que me contam histórias reais, imaginárias e desejadas. Ruídos que não controlo, volumes oscilantes.
Percebo.
Quando escrevo, a distância percorrida é quase nula, pois dedico grande parte do tempo a colocar as letras e, em seguida, apagá-las rapidamente. A impor a palavra e, logo depois, bani-la. O movimento se repete até que, às vezes, finjo esquecer de apagar.
Sinto-me multado em minhas convicções.
Derrapo nas curvas da técnica.
Freio cada uma das inspirações...
...Para, a seguir, acelerá-las.
Nos obstáculos, crio a minha voz.
Enfrento o destino.
Faço da vida o meu combustível.
Transformo sinais em pontos de partida.
Redobro os esforços.
Encontro brechas nos congestionamentos.
Exploro o breu das vielas, dos becos, e chego ao final das ruas sem saída.
Dou-me o prazer de perder os caminhos e virar nas esquinas que desconheço
Ilumino a escuridão e descubro que é assim que as palavras brotam, o texto cresce, a história se conta.
Mas não incorporo a certeza: se renego as dúvidas, elas me derrotam.
Repudio meu lugar de piloto.
Afinal, escrever não é dirigir. É perder o controle.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
É tarde?
A palavra veio.
Sim.
Ressoou sentimento.
Tilintou paixão.
Vestiu-se de possibilidade.
Anunciou promessas outrora adormecidas.
Resgatou vontades antes afogadas.
Respirou ares de um vento deslizado no pretérito.
Suspirou desejo.
Assoprou resposta.
Sacudiu dúvidas.
E paixão.
O verbo esbarrou na porta.
Do tempo.
Deu de cara com as horas desconexas.
De frente para o presente.
De alma para o passado.
Deslocado na dimensão da realidade, sobrou-lhe o apelo.
O resquício da gravidade de corpos afastados.
De poder, virou esperança.
De domínio, fez-se escravo.
Virou espera.
Depois, medo.
Enfim, ânsia.
Implorou a metamorfose dos fatos.
Clamou milagre da compaixão.
O subterfúgio dos desesperados.
A frase se locupletou.
De vazio.
O silêncio se elegeu.
Brindou o olhar.
Esfriou a mente.
Imobilizou fonemas.
Tardou a ação.
Encontrou desencontro.
A reação ignorou a troca.
Parada, distante do momento,
ausente do enlace,
afastada da recaída,
mas presa ao querer.
Rendida pela saudade de uma chance sonegada.
Algemada pela ocasião de uma morte anulada.
Lados opostos.
Ímãs humanos.
Separados pelo fosso cavado entre ímpeto e rejeição.
No labirinto do destino, a saída quebrou.
A chave do risco não abriu insegurança.
Proposta degustou rejeição.
Janela se abriu ao prazer.
Mas se fechou ao horizonte do medo.
A distância embalou o amanhã.
Reticências viveram o sono.
Ilusões povoaram os sonhos.
Insônia do desengano.
Mas o acaso falou.
Ecoou no repente.
Acordou reencontro.
Desdisse sina.
Reviveu nervosismo.
Pôs madrugada diante de confissões.
Recosturou feridas.
Curou desânimos.
Ergueu ponte entre esquecimento e felicidade.
Soergueu fogo.
Erigiu prazer.
Rendeu lascívia.
Ensejou nova rota para voar sobre o abismo solitário da arritmia.
Entre amantes do nunca.
Entre beijos da dúvida.
Entre o nada e o abraço da reconquista do tempo.
É tarde?
Ou a vida dispensa os segundos?
Há somente uma página em branco.
E a história de dois corações a escrever.
Sim.
Ressoou sentimento.
Tilintou paixão.
Vestiu-se de possibilidade.
Anunciou promessas outrora adormecidas.
Resgatou vontades antes afogadas.
Respirou ares de um vento deslizado no pretérito.
Suspirou desejo.
Assoprou resposta.
Sacudiu dúvidas.
E paixão.
O verbo esbarrou na porta.
Do tempo.
Deu de cara com as horas desconexas.
De frente para o presente.
De alma para o passado.
Deslocado na dimensão da realidade, sobrou-lhe o apelo.
O resquício da gravidade de corpos afastados.
De poder, virou esperança.
De domínio, fez-se escravo.
Virou espera.
Depois, medo.
Enfim, ânsia.
Implorou a metamorfose dos fatos.
Clamou milagre da compaixão.
O subterfúgio dos desesperados.
A frase se locupletou.
De vazio.
O silêncio se elegeu.
Brindou o olhar.
Esfriou a mente.
Imobilizou fonemas.
Tardou a ação.
Encontrou desencontro.
A reação ignorou a troca.
Parada, distante do momento,
ausente do enlace,
afastada da recaída,
mas presa ao querer.
Rendida pela saudade de uma chance sonegada.
Algemada pela ocasião de uma morte anulada.
Lados opostos.
Ímãs humanos.
Separados pelo fosso cavado entre ímpeto e rejeição.
No labirinto do destino, a saída quebrou.
A chave do risco não abriu insegurança.
Proposta degustou rejeição.
Janela se abriu ao prazer.
Mas se fechou ao horizonte do medo.
A distância embalou o amanhã.
Reticências viveram o sono.
Ilusões povoaram os sonhos.
Insônia do desengano.
Mas o acaso falou.
Ecoou no repente.
Acordou reencontro.
Desdisse sina.
Reviveu nervosismo.
Pôs madrugada diante de confissões.
Recosturou feridas.
Curou desânimos.
Ergueu ponte entre esquecimento e felicidade.
Soergueu fogo.
Erigiu prazer.
Rendeu lascívia.
Ensejou nova rota para voar sobre o abismo solitário da arritmia.
Entre amantes do nunca.
Entre beijos da dúvida.
Entre o nada e o abraço da reconquista do tempo.
É tarde?
Ou a vida dispensa os segundos?
Há somente uma página em branco.
E a história de dois corações a escrever.
terça-feira, 27 de maio de 2008
A vez
Em você o silêncio basta
A vontade se confessa
A razão é só uma injúria
Deflagrada na mudez
Em você o instante some
A eternidade embala o tempo
O segundo atrasa o passo
No desejo da nudez
Em você a sina vive
O destino se recomenda
A emoção suplica a lida
No pulsar da tua tez
Em você o verbo vibra
A palavra se inventa
O verso se consolida
Na rima da insensatez
Em você força fracassa
A dureza estremece
Os olhos se fazem golpe
Na queda de uma sisudez
Em você o mundo finda
O universo recomeça
A vida se alinha
Na regência da tua vez
A vontade se confessa
A razão é só uma injúria
Deflagrada na mudez
Em você o instante some
A eternidade embala o tempo
O segundo atrasa o passo
No desejo da nudez
Em você a sina vive
O destino se recomenda
A emoção suplica a lida
No pulsar da tua tez
Em você o verbo vibra
A palavra se inventa
O verso se consolida
Na rima da insensatez
Em você força fracassa
A dureza estremece
Os olhos se fazem golpe
Na queda de uma sisudez
Em você o mundo finda
O universo recomeça
A vida se alinha
Na regência da tua vez
sexta-feira, 25 de abril de 2008
...
Junto tuas dores e componho
Sinfonia da recaída minha
Somo meus medos e resolvo
Equação de minhas mentiras
Equilibro tensões e vidas
Na balança da realidade
Percorro a linha divisória
Do invisível prazer de ser
Há muitas partidas no jogo
Em que sou peça e jogador
Há movimentos e inércia
No campo das sensações
Subtraio riscos e tenho nada
Do que quero multiplicar
Divido expectativas e sonho
A soma dos desencontros
Orquestro o lance derradeiro
E afino o passo do êxtase
Antes do gozo do acorde
Adormeço o som do ruído
E que bela canção se espalha
Nas contas de uma rodada
Vem a vida, vai a dádiva
Numa troca entrelaçada
Ri somente quem debocha
Das suas próprias jogadas
Acertos e erros são vãos
Viver não é matemática
Só há um cálculo permitido
Na partitura de um esmero
Somar instantes ao presente
Fazer futuro sem pretérito
A inconseqüência é o berço
Dos afortunados...
Sinfonia da recaída minha
Somo meus medos e resolvo
Equação de minhas mentiras
Equilibro tensões e vidas
Na balança da realidade
Percorro a linha divisória
Do invisível prazer de ser
Há muitas partidas no jogo
Em que sou peça e jogador
Há movimentos e inércia
No campo das sensações
Subtraio riscos e tenho nada
Do que quero multiplicar
Divido expectativas e sonho
A soma dos desencontros
Orquestro o lance derradeiro
E afino o passo do êxtase
Antes do gozo do acorde
Adormeço o som do ruído
E que bela canção se espalha
Nas contas de uma rodada
Vem a vida, vai a dádiva
Numa troca entrelaçada
Ri somente quem debocha
Das suas próprias jogadas
Acertos e erros são vãos
Viver não é matemática
Só há um cálculo permitido
Na partitura de um esmero
Somar instantes ao presente
Fazer futuro sem pretérito
A inconseqüência é o berço
Dos afortunados...
segunda-feira, 31 de março de 2008
Feito nuvem
Rimei angústias
Escrevi esperança
Obtive versos
De solidão
Conjuguei a espera
Regi o retorno
Acentuei o medo
Da desilusão
Cantei a conversa
Solfejei o desejo
Desafinei o passo
Da sedução
Ouvi o petardo
Escutei a dor
Ganhei companhia
Da frustração
Vi o desabafo
Enxerguei o fiasco
Avistei a covardia
Da retribuição
Senti o refugo
Apertei o lábio
Chorei o tropeço
Do coração
Recebi o rótulo
Virei algo leve
Fiz-me de nuvem
De precipitação
Passeei no teu céu
Colori teu olhar
Fui útil às carícias
Da tua sensação
Figurei no drama
Redigi os sorrisos
Vivi aquém da dúvida
Da imaginação
Fiquei no arquivo
Mofei na história
Fui página virada
Da tua narração
Chovi a derrota
Molhei de recusa
Imergi em versos
De consolação
Sorvi o soluço
Bebi a realidade
Entendi-me desuso
Da tua criação
Solapei a lágrima
Deixei-te em paz
Soterrei a ousadia
De uma paixão
Escrevi esperança
Obtive versos
De solidão
Conjuguei a espera
Regi o retorno
Acentuei o medo
Da desilusão
Cantei a conversa
Solfejei o desejo
Desafinei o passo
Da sedução
Ouvi o petardo
Escutei a dor
Ganhei companhia
Da frustração
Vi o desabafo
Enxerguei o fiasco
Avistei a covardia
Da retribuição
Senti o refugo
Apertei o lábio
Chorei o tropeço
Do coração
Recebi o rótulo
Virei algo leve
Fiz-me de nuvem
De precipitação
Passeei no teu céu
Colori teu olhar
Fui útil às carícias
Da tua sensação
Figurei no drama
Redigi os sorrisos
Vivi aquém da dúvida
Da imaginação
Fiquei no arquivo
Mofei na história
Fui página virada
Da tua narração
Chovi a derrota
Molhei de recusa
Imergi em versos
De consolação
Sorvi o soluço
Bebi a realidade
Entendi-me desuso
Da tua criação
Solapei a lágrima
Deixei-te em paz
Soterrei a ousadia
De uma paixão
quarta-feira, 5 de março de 2008
Miedo
Tua risada ainda faz
o meu peito se engasgar
Tua voz ainda faz
o meu dia se inventar
Teu momento ainda faz
o meu tempo recuar
Para bem perto da paixão
Para bem longe do sonhar
E continuo com o medo
"do medo que dá"...
o meu peito se engasgar
Tua voz ainda faz
o meu dia se inventar
Teu momento ainda faz
o meu tempo recuar
Para bem perto da paixão
Para bem longe do sonhar
E continuo com o medo
"do medo que dá"...
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