quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Meio-dia...

É sempre meio-dia quando eu te amo
É sempre calor quando te pressinto
É sempre verão quando me declamo
É sempre ardor quando te excito
É nunca dor quando eu te chamo
Se me embriago na fonte do teu absinto

É sempre céu claro quando me olhas
É sempre eclipse quando me abraças
É sempre gravidade quando me tocas
É sempre universo no ar de tua graça
É nunca afeição que altera a órbita
Se vagueio nos sonhos da tua galáxia

É sempre primavera quando acordas
É sempre fotossíntese quando respiras
É sempre um jardim quando desfloras
É sempre uma brisa quando desfilas
É nunca outono que se revigora
Se me guio nas estações dos teus dias

É sempre uma sinfonia quando tu falas
É sempre um poema quando te descrevo
É sempre uma rima que tu embalas
É sempre a feição de um soneto
É nunca um verso na encruzilhada
Se nos compomos na face de um dueto

É sempre macio quando me agarras
É sempre uma canção quando sussurras
É sempre o toque de uma pluma plácida
É sempre o frescor de uma água pura
É nunca incômodo de uma pele rasa
Se mergulho no mar do amor que dura

É sempre deslize quando te prendo
É sempre escorregadio quando te vejo
É sempre confirmação que estou querendo
É sempre a sincronia que não tem pelejo
É nunca o conflito que se vê ardendo
Se na tua essência sou só desejo

É sempre oceano quando me navegas
É sempre vela cheia quando te anuncias
É sempre maresia que à praia se entrega
É sempre a onda que se vangloria
É nunca tempestade que se congrega
Se me banho nas águas do teu mar que guia

É sempre o que o nunca tem vontade
É nunca o que jamais será pra sempre
Quando no futuro da possibilidade
O destino não for mais do presente
Pro fim dos dias serei a ansiedade
Do princípio de amar eternamente

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Eu... ela

Eu sorrio
Ela só ri

Eu pisco
Ela titubeia

Eu hesito
Ela excita

Eu respiro
Ela suspira

Eu disfarço
Ela só farsa

Eu insisto
Ela resiste

Eu persigo
Ela persiste

Eu procuro
Ela foge

Eu corro
Ela voa

Eu avisto
Ela à vista

Eu paro
Ela repara

Eu charme
Ela mais

Eu volto
Ela envolve

Eu noto
Ela anota

Eu viro
Ela revira

Eu encaro
Ela descara

Eu retorno
Ela retoma

Eu aproximo
Ela distancia

Eu penso
Ela devaneia

Eu reflito
Ela ilumina

Eu sussurro
Ela se surra

Eu atrevo
Ela atrevida

Eu aliso
Ela realiza

Eu cheiro
Ela exala

Eu abraço
Ela encasula

Eu domino
Ela indomável

Eu caso
Ela descaso

Eu acaricio
Ela derrete

Eu avanço
Ela avançada

Eu perscruto
Ela confidencia

Eu fascínio
Ela sabe

Eu proponho
Ela proposta

Eu flutuo
Ela levita

Eu cama
Ela travesseiro

Eu ardor
Ela amor

Eu pele
Ela repele

Eu boca
Ela desboca

Eu lábios
Ela deleita

Eu cadência
Ela disritmia

Eu nervo
Ela relevo

Eu suor
Ela saliva

Eu delírio
Ela colírio

Eu descontrole
Ela perdição

Eu vontade
Ela impulso

Eu malícia
Ela lascívia

Eu vassalo
Ela feudo

Eu escravo
Ela engenho

Eu carícia
Ela submissa

Eu desejo
Ela deslize

Eu nirvana
Ela sacana

Eu vulcão
Ela emoção

Eu silencio
Ela gemido

Eu brisa
Ela praia

Eu espírito
Ela médium

Eu pássaro
Ela horizonte

Eu olhar
Ela paisagem

Eu mar
Ela tempestade

Eu versos
Ela poema

Eu estrofe
Ela liberdade

Eu paixão
Ela saudade

Eu vida
Ela eternidade
Eu...fim
Ela...em mim

Sobre desejos...

Dias são longos demais
Se separam o tempo
Entre nossos olhares

Noites se tornam vazias
Quando sonhos faltam
À memória do teu som

Saudade fere bastante
Quando se ausenta a pele
Que sorvo em lembrança

Procuro o teu cheiro
No aroma dos instantes
Que se fazem felizes

Vagueio pelo sorriso
Do que remanesceu
No paladar do efêmero

Penso na insanidade
Das faces do desejo
Que reluz do teu rosto

Revivo o teu ar
Na brisa que escorre
Da vontade insistente

Recobro os sentidos
No afã de um deslize
Que as almas suplicam

Ensurdeço no silêncio
Que tua boca projeta
Sobre o meu paladar

Adormeço no abraço
Que teu corpo enlaça
Sobre meu futuro

Acolho a feição
Que marca o prazer
Do nosso sigilo

E só quero o instinto
Das tuas razões
No meu desatino

Para fazer da paixão
A linha do tempo
Do nosso destino

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

E teu olhar?

Foram-se na brisa
teus olhos de outrora
agora as costas são
o olhar que me relegas

se antes a paixão
escorria nos detalhes
hoje mora no vazio
dos gestos que se vão

o sorriso encabulado
pegou a rota do espaço
o desejo virou morte
na sina dos teu chão

cada dia que se vai
é um instante sem você
toda estrela que se esvai
é uma noite sem te ter

sem a luz da tua presença
o trabalho é escuridão
sofrimento é seqüência
sofre mais o coração

que lembrança têm os passos
do que nunca aconteceu?
que rei serei de tu
se de mim sou nem plebeu?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Meus olhos... teus olhos

Meus olhos se viram a sós
Ainda pacientes e atentos
Adornam teus passos...
Mapeiam movimentos...
Enxergam tua face...
Descrevem teu brilho...
Absorvem teu ar...
Mas estão fadados à vigília

Meus olhos não mais comungam
O sabor do teu sorriso
Meus olhos não mais tocam
A reciprocidade do desejo
Meus olhos não mais tomam
A tua loucura emprestada

Meus olhos cegaram
À falta do teu olhar
Meus olhos emudeceram
À ausência do teu perfume
Meus olhos cansaram
À carência dos nossos corpos

Meus olhos se repaginaram
Na dança da indiferença
Meus olhos se acinzentaram
No repúdio da possibilidade
Meus olhos se enfraqueceram
Na força do teu afastamento

Meus olhos se perguntam
Pela ousadia do teu calor
Meus olhos se indagam
Pelo paradeiro da tua vontade
Meus olhos se questionam
Pela fuga do teu ímpeto

Meus olhos já não detectam
O que era flagrante
Meus olhos já não tateiam
O pecado esperado
Meus olhos já não sentem
Sinais de receptividade

Meus olhos choram
A sorte
Indesejada
Meus olhos lamentam
A loucura
Irrealizada
Meus olhos sofrem
A conquista
Inatingida

Meus olhos só assistem
À independência dos teus
Meus olhos só codificam
A dormência dos teus
Meus olhos só farejam
O eclipse dos teus

Teus olhos passeiam ao longe
Brincam no tempo
Saciam-se nas letras
Maquiam-se nas festas
Afugentam-se na distração

Teus olhos agora se escondem
Camuflam-se nas obrigações
Flagelam-se na seriedade
Torturam-se no impossível
Despedem-se do prazer desconhecido

Teus olhos se doutrinam
Conhecem os limites
Dominam as fraquezas
Impedem os deslizes
Contornam as rotas do acaso

Mas teus olhos não falam
O que os meus pedem para ouvir
Mas teus olhos não sussurram
O que os meus esperam sentir
Mas teus olhos não beijam
A alma que os meus te entregam

Teus olhos não mais enxergam
Os meus olhos que te devoram
Teus olhos não mais sucumbem
Aos meus que só te querem
Teus olhos não mais se mostram
Aos meus que te decoram

Meus olhos tolos seguem à espreita
Teus olhos firmes se fortalecem
Meus olhos frágeis se martirizam
Teus olhos fortes se reflorescem
Meus olhos débeis morrem vagos
Teus olhos certos não convalescem

Queria que teus olhos
Ensinassem aos meus
Os segredos da recusa
Diante do desejo

Queria que teus olhos
Explicassem aos meus
Como driblar a ânsia
Do querer imediato

Queria que teus olhos
Conduzissem os meus
Ao alívio de nada sentir
Frente ao que se almeja

Por que teus olhos não
Me contam o enigma da
Esperança esvaziada?

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Fim de show...

A estrada se fecha ao desejo
A porteira barra a vontade
A tranca isola os corpos
Não há margem para riscos

Os gestos sentem a barreira
As mãos se perdem no vazio
Os olhos não perseguem mais
Falta espaço para os versos

A conversa míngua na solidão
O cumprimento seca a razão
A proximidade se distancia
Não se tem palco para ação

A liberdade tropeçou no peso
Risco se resumiu à prudência
O silêncio reina sobre o ímpeto
Não há lugar para trocas jamais

E aquela esperança padeceu
Na insistência de uma recusa
No receio do desconhecido
Nas mensagens diuturnas

O vôo não saiu do chão
Ninguém arremete na indiferença
O rascunho se apagou
No titubeio de quem escrevia
O barraco desabou
Na despedida de quem se afasta

A dança tem seu último capítulo
As pernas se desequilibram
O próximo passo é o monólogo
O abraço virou recordação
O beijo não chega ao ombro
A mordiscada arrefeceu no imaginário

As declarações constam no arquivo
Dos olhos doces da beleza
Resguardado por lentes e charme
O sorriso de mil faces não se traduz
Na linguagem de quem ainda quer
Tímido, sorrateiro à base de covas
Agora se rende à seriedade do impossível

Sobram palavras perdidas no passado
Sobram calafrios nas espinhas
Sobram os tremores do horizonte
Sobram sonhos recheados de pecado

Restam os resquícios
do desejo fulminante
Mas cessou a confusão
dos sentimentos
É o fim indesejado
Das premonições

Show e vida não combinam
A realidade pede o viável
Disfarça-se a encenação
No teatro do escondido
Os versos encerram o capítulo
As estrofes copiam o fácil

A poesia fica acima do encanto
Mas não contagia mais o riso
O espírito de ousadia
Vagueia ao alcance da tristeza
E à sombra do remorso

O desejo simples e mútuo
Perpassa alguns dias
A insônia não fabrica
Sonhos de outrora
Gestos, palavras, trajes
Se rasgam na efemeridade
De quem viveu o instante
Não conquistado

Sobrevive a atmosfera
Do show do insconsciente...

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Olhos em silêncio

Seus olhos silenciaram
A eloqüência do meu olhar
Meu sorriso de prontidão
Se apagou na indiferença
Os batimentos correram
A lentidão de uma resposta

Há dias que nascem coloridos
E morrem no cinza da frustração
Há instantes que são eternos
No arquivo das lembranças
Há palavras que se tatuam
Na alma de quem escuta

Versos noturnos sobrevivem
Ao terreno vago da rejeição
Olhares continuam a seguir
O andar rápido da paixão
E o cumprimento discreto
Sem o toque, sente a mão

A intimidade toca o ritmo
Da proximidade consentida
Mas os passos se afastam
No caminho do receio
O desejo ainda fertiliza
A ânsia de quem sonha

Liberdade é refém do medo
Se ousadia vira a inércia
De um carinho contido
Emoções convalescem
Quando o corpo se tranca
À revelia de um olhar

A boca ainda sente o gosto
Da saliva imaginada
A memória ainda guarda
O perfume da fantasia
Que sabor conserva
Tua alma inquieta?

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Luta

A glória não envaidece a multidão
O fracasso não condena a desgosto
Quando herói faz da espada a razão
Demuda a arena da vida em gosto

A luta vira somente uma canção
A coragem é quem embala o posto
Quando a sorte é refém do desvão
A batalha canta noites de agosto

A derrota flerta o beijo entreposto
A vitória dialoga com a ilusão
O desfecho no destino é recosto

Se o espírito se abre ao coração
A guerra não passa de um aposto
Vencedor faz de ousadia a lição

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Madrugada

Minha vida é um balde de vento
Eu arremesso em meio ao nada
O ar que reveste o momento
Faz-se banho em madrugada

Mas eu cato de novo o relento
E misturo à boca amargada
Convalesce de dor e tormento
A prece então desmaiada

E me vicio longe a contento
Da repetição meio espraiada
Insisto no tempo e arrebento

A vontade agora aflorada
Me invisto de sonho e alento
Na ilusão de toda caminhada